Mestre Ipê

Clay Jackson/Staff
Cattle graze at a field in Moreland Thursday.

Mestre Ipê (B entm D?/M?)

A história dos entes se confunde com a história do mundo. Estas criaturas habitam Qeon desde tempos imemoriais, segundo muitos, antes mesmo dos tempos dos dragões. Alguns sábios humanos defendem a tese de que eles são arvores que despertaram de um sono profundo, não tendo nada de diferente dos outros vegetais naturais. Outros acreditam que eles são uma entidade divina, o espírito coletivo de um(a) deus(a) antigo que repartiu sua alma em algumas (todas) as árvores, e continua a existir, embora com seu poder fragmentado.

Especulações a parte é fato que os entes mantêm silêncio sobre sua origem e destino, embora seja claro que eles atuem constantemente nos negócios dos humanos e das demais raças do mundo, sempre no sentido de preservar a natureza, por razões óbvias.

Entre esses seres nas terras de Lyndara um dos mais atuantes é Mestre Ipê, um Ente que mede aproximadamente quatro homens de altura e ostenta uma frondosa copa cheia de flores vermelhas que repousa sobre um caule espesso onde ficam suas feições, muito bem delineadas. A árvore ambulante tem uma voz pesada e ruidosa que ressoa na cavidade oca onde fica sua boca, e fala uma mistura de muitos idiomas, quando não apenas a língua dos entes, que é muito intrincada, pois além dos vocábulos conta com gestos e ruídos emitidos pelas árvores, como rinchar de madeira, riscar de galhos e gorgolejar de água em suas cavidades.

Ultimamente, Mestre Ipê tem residido perto de Ehdinor, nas florestas que circundam a cidade. Os cavaleiros da guarda do reino o viram andar ultimamente com os druidas da região, o que preocupa o rei, que segundo rumores, manda aventureiros constantemente rastrear os passos do monstro.

Mas os mais próximos da criatura atestam que o velho Ipê tem demonstrado cada vez mais sinais de senilidade. Confunde e esquece nomes, datas, lugares, pessoas (e tudo o que se pode confundir nãos e lembrar no mundo) o que tem levado seus amigos a ficarem muito tristes e a redobrar o cuidado com ele.

Sempre cordial com todos que compartilham seu amor pelo mundo, Mestre Ipê cuida dos seus até as últimas conseqüências. Ele já foi encontrado depois de meses conversando com Luriah, uma macieira que segundo ele era uma pessoa muito triste, ou mesmo festejando o brotar de grama em campos pelas planícies, cantando musicas em entês que podiam ser escutadas a dezenas de metros.

Enfim, há mais silêncios do que palavras na longa biografia de mestre Ipê, o que é lamentável para os que querem entender como as coisas aconteceram no mundo. Em meu único contato com o velho ente, ele apenas falou de um canário que nasceu em seus galhos, e chorou muito, por estar feliz por que aquele mesmo canário agora era pai. E cantando ele se retirou e me deixou cair uma das flores que ornam sua copa, que está num vaso que enfeita a minha sala de estar em toda a sua beleza e plenitude até hoje.

Velina, A Mãe Ursa da Terra das Serpentes

2 Respostas para “Mestre Ipê”

  1. Mateus Guida Diz:

    Aleluia! Gostei muito, embora não consiga de deixar de associar com barbavore ^^

  2. Essa arvore é pequena, kkkkk.

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